ACONSELHAMENTO

O aconselhamento de forma geral


Aconselhamento Psicológico, na visão de Forghieri (2007), é uma terapêutica destinada a aliviar os sofrimentos existenciais dos seres humanos com procedimentos variados, sem o estabelecimento de teorias ou regras rígidas. 

Sob a ótica de Carl Rogers, consiste em uma perspectiva da Abordagem Centrada na Pessoa, recebendo uma multiplicidade de demandas que junto com o cliente encontre recursos, alternativas de ajuda, incluindo informações, encaminhamento, psicoterapia. O que envolve fazer alianças com pessoas, família, grupos sociais e instituições.  O Aconselhamento em Qualidade de Vida não é diferente. 

Somente que parte de um mergulho no ser do cliente para se apresentar as melhores estratégias possíveis para potencializá-lo, instruí-lo, educá-lo e torná-lo autônomo em capacidade de lidar com tudo que afeta a qualidade de sua vida. 

Não se trata de imaginá-lo como alguém portando uma deficiência ou um mal, nem tão pouco julgar ou condenar qualquer atitude. A utilidade do aconselhamento justifica-se pela necessidade de ouvir e dar significados, respaldados em teorias e nos interesses e objetivos do cliente, conjugados a um envolvimento existencial onde o profissional se integra às questões que o afligem, afastando-se reflexivamente nesta interação para pensar recursos que poderão ajudá-lo a superar obstáculos, perceber-se, perceber seu potencial, suas capacidades de agir e reagir por si e promover sua própria saúde e equilíbrio pessoal e/ou social ante a situação. 

O aconselhamento funciona quando a relação entre conselheiro e cliente leva este último a uma mudança em uma ou mais áreas como: Comportamento, Construtos Pessoais (modos de elaborar a realidade, incluindo o Eu) ou preocupações emocionais a essas percepções e Capacidade para ser bem-sucedido nas situações da vida, de forma a aumentar ao máximo as oportunidades e reduzir ao mínimo as condições ambientais adversas. 


Para tal o Aconselhamento constitui-se nas fases de:

          Descoberta inicial (atenção a comportamentos verbais e não verbais na coleta do maior número de informações para uma melhor estratégia); 

          Exploração em profundidade (confrontação construtiva na busca de expor ao cliente sua situação e dar-lhe uma direção);

          Preparação para a ação (cliente identifica quais ações mais pertinentes deverá tomar sobre os objetivos identificados nas etapas anteriores ou simplesmente ter a consciência de que fez tudo o que pode ou o que era desejável dentro de sua situação). 

          Assim, o aconselhamento finaliza com o cliente considerando os novos comportamentos satisfatórios, ante as suas expectativas. 



Aconselhamento Psicológico e Psicopedagógico

O aconselhamento Psicológico emergindo como uma prática com ênfase principal no psicodiagnóstico viu-se carente de instrumentos para o “tratamento psicológico”, conhecendo o que trabalhar, mas não como trabalhar nos problemas existenciais advindos da subjetividade humana. É quando surge Carl Rogers deslocando o foco da atuação do problema para a pessoa do cliente, da avaliação para a relação e do resultado para o processo da relação, resultante de uma abordagem centrada na pessoa. 

Tal abordagem consiste em ter um profissional preparado para receber as mais diversas demandas e junto com o cliente encontrar recursos e alternativas de ajuda, tais como: informações, orientações, encaminhamentos, psicoterapia, envolvendo fazer alianças com pessoas, família, grupos sociais e instituições na busca de resultados. 

O Aconselhamento, na interação profissional-cliente, promove mudanças que podem ser comportamentais, nos construtos pessoais e na capacidade de resiliência do indivíduo. Enquanto prática é direito privativo do Psicólogo, mas outros profissionais de ajuda se utilizam dela. 

Em todos os casos o Aconselhamento deverá resultar em comportamento livre e responsável por parte do cliente.

Para a sua eficácia é preciso que o profissional apresente atitudes facilitadoras como empatia, aceitação incondicional, congruência e concreção, sendo esta a primeira fase do processo, “Descoberta Inicial”, no desenvolvimento de uma relação de confiança e liberdade de expressão, por parte do cliente que precisa de um ambiente propício para expor suas ansiedades, aflições, dores e conflitos de sua alma. 

As outras duas fases consistem na “Exploração em Profundidade”, onde o cliente deverá compreender de forma mais clara sua situação, revendo suas possíveis direções (neste momento o profissional confronta o cliente, construtivamente, com suas impressões, para fazê-lo refletir) e a fase de “Preparação para a Ação”, onde o cliente deverá decidir como realizará os objetivos identificados junto do profissional, escolhendo o caminho que julgar mais pertinente. 

O aconselhamento psicológico é a atitude do profissional que escuta os problemas existenciais de alguém e, de forma empática, com interesse verdadeiro, coerência e clareza, procura ajudá-lo em seus problemas existenciais, ajudando-o a refletir e juntos encontrar soluções no lidar. 

O Aconselhamento Psicológico na aprendizagem envolve as questões afetivas que, no ser, impede o fluxo da absorção de conhecimentos e aquisição de saberes. Visa facilitar uma adaptação qualitativa do sujeito à situação em que se encontra e aperfeiçoar os seus recursos pessoais de autoconhecimento, auto-ajuda e autonomia. 

A finalidade principal é promover o bem-estar psicológico e a autonomia pessoal no confronto com as dificuldades e os problemas. Está relacionado à resolução de problemas, processos de tomada de decisões, confrontos com crises pessoais, melhoria das relações interpessoais, conflitos e facilitação para mudança de comportamentos para um aproveitamento escolar de melhor qualidade. 

É uma maneira de ajudar o outro a entender e lidar com as dificuldades na busca da superação e alcance dos objetivos pedagógicos. 

O aconselhamento Psicológico difere da Psicoterapia focando no fenômeno, no existencial, na situação que se apresenta, pondo-se no lugar do outro para, no sentido de, escutar verdadeiramente, colher a maior quantidade de informações verbais, comportamentais, situacionais e institucionais, para afastando-se reflexivamente, sentir o outro em si para traçar estratégias cujo instrumental encontra-se no potencial observado nos vários núcleos envolvidos: seja no próprio indivíduo, na família, na escola, empresas, hospitais, professores, etc. 

O Aconselhamento Psicopedagógico se direciona para o potencial de aprendizagem e utiliza-se de recursos da psicologia que estão disponíveis e envolvidos no objetivo pedagógico transitando entre a psicologia e a pedagogia. Este Aconselhamento se da, em verdade, no estudo da adaptação do indivíduo no contexto escolar. A criança é o principal foco no processo de ensino-aprendizagem, porém sendo este processo, relacionado também, com várias outras possíveis aprendizagens, já que o ser humano se integra, interagindo com o meio, em um circuito incessante de aprendizagens que o acompanha por toda a vida. 

Preocupar-se com a relação entre aprendizagem, família e sociedade na preparação dos seres humanos em desenvolvimento que, um dia, enquanto cidadão, contribuirá de forma integral para a melhoria da sociedade, é a meta do apoio em forma de Aconselhamento Psicopedagógico. Este precisa encontrar nas relações sociais e na entidade de ensino os caminhos sinérgicos para o êxito do propósito de harmonizar o aprendiz em suas capacidades cognitivas, afetivas e neurobiológicas através de potencializar o espaço pessoal, familiar, institucional e assim, o existencial que se apresenta com dificuldades superáveis.  

As etapas e os recursos do Aconselhamento Psicopedagógico não diferem do Aconselhamento Psicológico quanto às etapas e estruturação, somente no foco e no objetivo almejado. As fundamentações são as mesmas, no aspecto psicológico ou filosófico de ser cuidador ético, íntegro e preocupado com seu ser, ao mesmo tempo, cuidando do outro ser e se observar enquanto cuidador. Este deve saber ouvir e desenvolver em si uma escuta empática. Deve construir seu aconselhamento utilizando todos os seus recursos no objetivo da ajuda; cuidar de si em supervisão para que haja qualidade e intensidade no cuidar do outro; mesclar sua existência com as do cliente, de forma coerente, interessada, clara e empática sem emitir julgamentos morais, sendo parceiro na busca da solução do problema de existir que o outro expõe e não descobriu como lidar; deve se atualizar e estudar formas de lidar com o mundo, com o outro e consigo mesmo; estabelecer relação de segurança e confiança com aquele que estando fragilizado é digno de fortalecer-se e restaurar seu equilíbrio; Na busca de ajudar o outro ser, escutar o outro pode ser o suficiente para o outro encontrar suas respostas. 

Aproximar-se do outro através da escuta empática, aprofundar-se na questão do outro ser, afastar-se reflexivamente para estabelecer formas de ajudar, oferecer opções e apoio na decisão do outro, informá-lo, instruí-lo, encaminhá-lo, orientá-lo e acompanhá-lo é dar o melhor de si como ser que ajuda ou ser que é ajuda-dor e assim ajudando o outro em sua autonomia, potencializa sua vida na medida que mostra o caminho, caminhando junto e não caminhando por ele.


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